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Para potencializar as virtudes da mãe-executiva
*Por Augusto Costa
Há menos de uma década, a cena de torcedoras vibrando nos estádios era motivo para surpresa, admiração. Era também um sinal de que mudanças estavam a caminho. Das arquibancadas, logo elas entraram em campo, vestiram as chuteiras ou tomaram conta dos apitos para colocar ordem nas duras disputas dos marmanjos. Longe das câmeras, semelhante evolução tomou corpo, paulatinamente, em diferentes segmentos. No setor da mineração, assumiram o volante de grandes máquinas, na indústria passaram a liderar grandes equipes, entraram na conquista espacial e, na política, já disputam ombro a ombro os postos de comando, antes um terreno reservado ao poder e vaidade masculina.
Com a sutileza e delicadeza própria do gênero, elas conquistaram definitivamente seu espaço. Sem mais necessidade de provação, já demonstraram em análises de produtividade que são excelentes negociadoras e conseguem gerenciar diferentes tarefas ao mesmo tempo, com tal ou mais desenvoltura que os homens. Sem novidades, já encaramos com normalidade a ascensão das mulheres aos altos postos executivos. Mais que isso, necessitamos da dedicação e inteligência feminina em nossas corporações.
Apesar disso, elas ainda tem um longo caminho pela frente quando o assunto é igualdade entre os sexos no ambiente corporativo. De acordo com pesquisa realizada junto a 29 mil gestores de 33 países, dentre eles Estados Unidos, França, Japão, Inglaterra, México e Canadá, apenas 49,1% acreditam que o potencial produtivo feminino é bem aproveitado dentro das organizações, ante 74,3% do aproveitamento da força de trabalho masculina. Outro destaque da pesquisa, de autoria da Manpower, líder mundial no segmento de consultoria em Recursos Humanos, é que, embora mais mulheres concluam o ensino superior, apenas 60% estão empregadas, contra 75% no lado masculino. Para agravar o quadro, ainda são donas dos menores salários.
Quando chega o momento de assumir novos postos de alta gestão, elas repensam, e muitas vezes optam pela preservação da harmonia familiar. O levantamento apurou que apenas 27% das executivas almejam cargos de liderança em algum momento de suas carreiras, contra 37% dos profissionais do gênero oposto. Apenas 12% das funcionárias questionadas aspiram por um cargo de nível máximo, enquanto que 19% dos homens têm esse desejo.
Se por um lado o mercado necessita e demanda sua participação e demonstra uma tendência de equiparação de gêneros nos postos de comando, por outro peca em não facilitar a ascensão da mulher. Na maioria dos casos, a desistência em assumir cargos de chefia é tomada pela impossibilidade de conciliar uma carga horária pouco flexível (cerca de 40 horas semanais) com a vida em família. Ou seja, queremos elas como parceiras, porém as condicionamos a aceitar as regras do universo masculino. Não abrimos mão de sua condição de mãe.
Acredito que empresas que investem na flexibilização do regime de trabalho feminino no mundo empresarial tem mais chances de prosperar no longo-prazo, enquanto as que ainda não apostam nessa estratégia precisam reunir mais esforços para se manterem competitivas.
Pensar em uma empresa familiarmente responsável, com políticas que contemple as necessidades individuais das executivas e harmonize trabalho com vida familiar, é valorizar e respeitar a condição dessas mães-colaboradoras. Em um contexto macro, tal atitude pode acarretar em crescimento econômico, redução da pobreza e elevação do bem-estar social, colaborando para a manutenção do desenvolvimento sustentável dos países. Empresários, colaboradores, líderes, liderados, filhos, maridos e nações, todos agradeceremos. Temos somente a ganhar!
Augusto Costa é diretor-geral da Manpower no Brasil.
Artigo publicado em abril de 2009 na revista Liderança
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