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Por Gastão Mattos
O uso do contact less como a plataforma de tecnologia ideal para aplicações de mobile payment, depara-se com certa falta de coerência diante da realidade do mercado brasileiro. Quando este fator é levado em consideração, as dificuldades para se chegar a um modelo de negócios rentável e o aumento de custos para os lojistas revelam que a defesa do contact less tem, nas entrelinhas, a intenção apenas de posicionar este sistema para situações marginais, nichadas, que jamais serão massificadas. Se quisermos considerar aplicações de porte e amplitude no Brasil, certamente não seria o contact less a solução adequada.
O contact less, como manifestado por seus defensores, exige modelo de negócio onde a operadora de telefonia móvel tenha papel protagonista, além de fabricantes de celulares, pois o aparelho precisa ser capacitado para emissão do NFC (Near Field Communication), ou sinal de rádio por aproximação, emitido por dispositivo de chip no próprio aparelho, distinto do chip GSM.
Com isso, bancos, bandeiras e redes adquirentes, passariam a contar com uma cadeia mais complexa no negócio de meios de pagamento, incluindo novos “sócios”, heterogêneos ao seu meio.
A plataforma exige, ainda, que as lojas tenham um “device” de captura e interpretação do sinal NFC emitido por aproximação pelo celular do cliente. Trata-se de um novo hardware a ser incorporado na rede, com custos expressivos se considerado de aplicação massiva.
As principais redes adquirentes afirmam terem filiado no Brasil mais de 1 milhão de lojas. Contudo, há que se considerar que em uma grande loja, como um supermercado, vários check outs estão disponíveis, então uma aplicação massiva do NFC exigirá o investimento de um múltiplo de milhão de unidades para ser efetivo. Quem pagará por isso? A rede adquirente? A operadora? O banco? Ou talvez um novo aluguel de terminal onerando o lojista?
A tecnologia do contact less pode ser aplicada de forma efetiva e inquestionável em situações especificas, por exemplo para facilitar o acesso para estádios de futebol, ou em transportes públicos, como aliás se iniciou de forma prática no Japão e na Korea. Difícil considerá-la, no Brasil, mais em particular, como solução abrangente.
Para reforçar o ponto de vista, tome-se como um novo exemplo, as compras através da internet. Como aplicar o contact less para autenticar clientes neste caso? Se até hoje os cartões de crédito não dispõem de plataforma com usabilidade para incorporar a senha do cartão nas compras de comércio eletrônico, o que se falar de uma transação contact less virtual?
Parece bastante razoável a constatação de que antes de defender voz, SMS, contact less ou qualquer outra plataforma de tecnologia, é preciso que se definam três fatores: qual é a aplicação que se pretende, sua abrangência e os critérios de escolha. O MCash fez esta analise há 4 anos e entende ser a plataforma de voz a mais abrangente, a de melhor usabilidade para o usuário final, e de menor impacto para o lojista, considerando-se o mercado brasileiro.
*Gastão Mattos é presidente da MCash
Artigo publicado no site da Revista Executivos Financeiros no dia 19 de março de 2009.
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